Meus livros prediletos de Shakespeare/Anna Barros

romeu e julietaNo dia 23 de abril, fez 400 anos do maior escritor da inglesa, William Shakespeare. Aproveitando a ocasião, cito meus três livros preferidos do bardo inglês. Visitei a sua cidade, Stratford-upon-Avon, em 1997, com a minha irmã Renata.

Meus livros preferidos são:

1- Romeu e Julieta

Sinopse: Nesta cidade italiana, aproximadamente em 1500, duas famílias tradicionais, os Montecchios e os Capuletos, cultivam uma intensa e insustentável inimizade que já remonta a vários anos. Independente desta rivalidade, Romeu e Julieta, filhos únicos destes poderosos clãs, se apaixonam e decidem lutar por este sentimento.

Os amantes se conhecem em uma festa promovida pelo líder dos Capuletos, pai da jovem. Romeu, evidentemente, não foi convidado mas, acreditando estar apaixonado por Rosaline, uma das moças presentes no evento, se oculta sob um engenhoso disfarce e vai à celebração. Uma vez, porém, que ele se depara com Julieta, a imagem da outra garota desaparece de seu coração, e nele agora só há espaço para a jovem desconhecida. Logo depois os dois descobrem que pertencem a famílias que se odeiam.

2- A Megera Domada

Sinopse:

O livro “A Megera Domada“, originalmente publicado como The Taming of the Shrew, é uma das comédias de costumes mais conhecidas de William Shakespeare. Ela foi criada entre os anos de 1593 e 1594 e teve origem em histórias ancestrais da tradição oral. Aqui o autor apresenta Catarina, a irrefreável primogênita de Batista. Nenhum homem consegue domar a jovem.

Ela tem uma irmã mais nova, a meiga Bianca. O problema é que o pai das duas só permitirá o casamento da caçula após o matrimônio de Catarina. É desta forma que tem início a tortura dos vários candidatos à mão de Bianca. Eles tecem uma conspiração com o objetivo de encontrar um pretendente para a rude, colérica e caprichosa Catarina.

Então aparece Petruchio, um nobre originário de Verona. O aristocrata, na verdade, só está à procura de um dote generoso. É intencional o contraste entre a rispidez de Petruchio e a cortesia dos candidatos que pretendem se casar com a caçula. Esta é uma forma do autor ridicularizar a vida social da época. Ao que parece, o matrimônio ocorre à revelia da protagonista. Depois de a jovem passar por um difícil processo terapêutico, o fidalgo enfim consegue conquistar Catarina.

 

 

3- O Mercador de Veneza

Sinopse:

O mercador de Veneza é uma das obras mais polêmicas de William Shakespeare (1564-1616). Escrita por volta de 1596, aborda o choque entre diferentes culturas, tema tão presente hoje como na Inglaterra do século XVI. Tradicionalmente classificada como comédia, apresenta elementos típicos do romantismo; um exemplo é a heroína da peça – Pórcia –, uma dama italiana à procura de um marido.

A história tem lugar entre Veneza e a fictícia Belmonte e mostra o antagonismo entre Antônio – o mercador do título da obra, comerciante cristão de prestígio – e Shylock, um usurário judeu que leva o outro ao tribunal no intuito de cobrar uma dívida. Para criar este que é um dos seus mais populares personagens, Shakespeare se inspirou na peça O judeu de Malta, de seu contemporâneo Christopher Marlowe.

Morte em Veneza – Thomas Mann

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O autor escolhido para hoje é Thomas Mann. Filho de um senador alemão e mãe brasileira, nasceu na Alemanha em 1875, estudou História, História da Arte e literatura.
Ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1929 aos 54 anos.

Publicado em meados do século XX,  o livro Morte em Veneza, um dos mais conhecidos livros do alemão Thomas Mann, traz a trajetória de um grande  escritor por amar platonicamente um jovem que, para ele, era a personificação da beleza ideal. Eles nunca conversaram, se aproximaram, nada.. 

Muito se fala sobre elementos autobiográficos contidos neste livro, já que certos aspectos do personagem principal coincidem com fatos da vida particular do autor, a exemplo sobre ele também ter sido um escritor famoso, maduro e bem sucedido.

Gustav von Aschenbach viveu toda a sua vida focado em seu legado literário. Desde muito cedo se dedicou inteiramente a esse propósito, privando-se  da rotina mais comum e dos  prazeres da juventude.

Na maturidade, tomado por um impulso desafiador, abandonou seru exaustivo trabalho e partiu em viagem para Veneza. Ele só não esperava encontrar  tudo aquilo que sempre quis e sempre tentou expressar em sua arte neste local tão exótico como a forma perfeita e as proporções harmônicas do belo. Assim, Thomas Mann nos faz refletir também, juntamente com seu protanista, sobre nosso conceito sobre o que compõe a beleza.

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Deste exercício de observação, Gustav se depara com  Tadzio, um jovem garoto polonês de apenas 14 anos. Rendido à beleza deste jovem, inicia um processo gradativo de decadência moral, de anulação de alguns de seus mais preservados princípios para deleitar-se com tal beleza quase andrógena.

Tadzio estava de férias com a sua família em Veneza e hospedado no mesmo hotel que Gustav.

A comunicação entre os dois é  praticamente inexistente, exceto por alguns olhares trocados, eles jamais chegam a se falar.

Pouco a pouco, Tadzio vai, indiretamente, entendendo os olhares bem observadores do escritor que, perturbado, percebe-se seduzido pelo menino. Esta fixação é o principal ponto de articulação da história, narrada apenas do ponto de vista do protagonista.

Entretanto, embora se tenha indícios de que Tadzio também se sinta atraído por Gustav, nós leitores não sabemos o que se passa na mente do menino, pois toda as sensações apresentadas no livro são frutos apenas das observações do protagonista.

Nada se sabe da natureza de Tadzio, a não ser aquilo que é apresentado pelo seu admirador. Por isso, pode se perguntar se não houve um certo exagero em situações vividas na narrativa.

Um excelente livro, que nos mostra o poder um olhar observador na estimulação da mente de um homem solitário.

7953f178acc4e6f8dbb3769e69730af4ae6eca84Está disponível na internet uma produção cinematográfica de 1971 disponível para download. Este filme é bem fiel ao livro.

Dobradinha Literária #44: O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares – Ransom Riggs

Literalmente um livro onde as aparências enganam.

Série: Srta. Peregrine, vol. 1
Tradução: Edmundo Barreiro e Márcia Blasques
Ano de Lançamento: 2012
Número de Páginas: 336
Editora: Leya

A primeira vista, observando o trabalho de capa e fotos anexas temos a sensação de ser um título de gênero suspense e terror, que sentiremos aquele friozinho na barriga e tal… Me surpreendi com todo o enredo e me vi envolta de uma grande aventura, cheia de símbolos sobre a amizade e amor a família.

O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares

Ransom Riggs nasceu na Flórida, Estados Unidos, e formou-se em cinema e TV pela Universidade do Sul da Califórnia, onde vive atualmente. Como cineasta, realizou vários curtas-metragens; nas horas vagas, é blogueiro e repórter especializado em viagens. Seu primeiro romance, O Orfanado da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, tornou-se rapidamente um sucesso de público e crítica.

A capa e a contracapa, em tom sépia, tem um toque sobrenatural que remete aos filmes de terror sobre construções assombradas, lugarejos onde se ocultam antigos e sinistros segredos de família, e filmes noir de mistério e terror dos anos 1950. As páginas com arabescos iniciando os capítulos e as fotografias em preto e branco ilustrando situações narradas no livro, colocadas em pontos estratégicos pelo autor servem para aguçar a nossa curiosidade, ou provocar aquela sensação de desconforto que antecede um momento de susto. Segundo o autor, as fotos são reais, emprestadas de amigos colecionadores de fotografias antigas.

“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo.” – Prólogo. 

Uma fenda no tempo e um menino que tenta entender todas as histórias contadas por um avô enigmático. Esta é a ligação entre o nosso mundo e o mundo das crianças peculiares.

– Eu? – Ele deu de ombros. – Desisti de tentar entendê-lo há muito tempo.
– Isso é triste. Você não estava interessado?
– Claro que estava. Mas, depois de algum tempo, perdi o interesse.
– Por quê?
– Quando alguém não lhe deixa entrar, você acaba parando de bater. Entende o que quero dizer?” – um papo sincero sobre o avô p. 82

A família da mãe de Jacob  tem muito dinheiro e seus tios são donos de uma rede de mercado onde o jovem está “estagiando”, como parte de um ritual de família. Jacob já tentou de tudo para ser demitido, mas não consegue, por conta de seu status de herdeiro. Já seu pai está sempre correndo atrás de um grande projeto/sonho, que sempre acabam engavetados e esquecidos. A pessoa com quem Jacob se dá melhor em sua família é seu avô paterno, Abraham (Abe), que sempre lhe conta histórias de seu passado.

Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar. Depois de perder o avô, Jacob começa a ter visões e seus pais o forçam a se consultar com um psiquiatra, que afirma que o garoto sofre de choque pós-traumático. Assim, Jacob, um rapaz de 16 anos, é lançado em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales para averiguar as histórias contadas por Abe e descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares.

Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo ou simplesmente tinham algo a mais muitas vezes incompreendido pelas pessoas. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas.

Simplesmente maravilhoso. Só por esses aspectos, o livro merece ser lido.

“Sempre soube que era estranho. Nunca sonhei que fosse peculiar.” – p. 232

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#39 O resgate – Nicholas Sparks

o resgateEste é um dos melhores livros de Nicholas Sparks. Não consegui parar de ler. Li até de madrugada.

Fiquei imaginando se teria final infeliz, mas graças a Deus, não teve.

O livro é envolvente e você quer saber o que vai acontecer na próxima página. É fluido e em cada momento, você descobre uma coisa nova a respeito dos personagens.

Taylor McAden é um bombeiro voluntário que salva uma mãe, Denise, e seu filho especial, Kyle. A partir desse resgate, as vidas de todos os envolvidos mudam. Acontece que Taylor e Denise se apaixonam mas Taylor tem um histórico de salvar as pessoas e depois abandoná-las e faz isso com Denise também. Além dessa dinâmica, há também um trauma dele do passado em relação ao seu pai, que ele não conta nem para os melhores amigos Mitch e Melissa.

Após um lance inesperado do destino, que o magoa, Taylor acaba refletindo sobre seu comportamento. Conversa profundamente com a sua mãe , Judi e sua amiga Melissa, e resolve procurar Denise, de novo, resgatar o romance e se permitir ser feliz ao lado de alguém.

Super recomendo o livro!

Consegui não chorar, mas há momentos de grandes emoções no livro.

 

 

 

Dobradinha Literária #43: Willian Wilson – Edgar Allan Poe

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Em seu conto “William Wilson”, Edgar Allan Poe conta-nos a história de um rapaz que encontra, logo no primeiro dia de escola, um colega com o mesmo nome que o seu. Mas as semelhanças não se limitam ao nome, em tudo eles são iguais: na forma de agir, na forma de andar, na forma de falar e de se vestir, sendo a única diferença palpável (ou, mais corretamente, indicada pelo narrador) a voz deste duplo, que era sempre sussurrada.

Um subconsciente sussurrado.

É interessante notar que, desde os tempos de escola, o narrador falava sobre sua relação competitiva com seu duplo, e como ele estava sempre na defensiva, temendo ser subjugado por este, mas nunca falou de forma direta sobre a relação deste outro William Wilson com os outros colegas.

Apenas o narrador notava os deboches de seu sósia – a eterna imitação de suas maneiras – e apesar de ser grato por isto, sempre achou curioso como isto poderia acontecer. O narrador também odiava a forma aparentemente “superior” que seu duplo se comportava.

william-wilson-de-edgar-a-poe-1-638Quando, ainda na escola, ele se dirige ao quarto de seu rival, ele percebe que não era o seu “irmão gêmeo perdido”, mas um garoto sem importância. Pensa que se iludira, mas não percebe que a sua ilusão não se restringia ao engano de quarto. Podemos imaginar que este duplo sussurrante fosse uma compensação para a fraqueza do supereu do personagem principal, anunciada logo nos primeiros parágrafos.

Ele apenas diz que ele era o segundo na hierarquia estudantil, atrás apenas do outro Wilson, mas nunca disse se isto era um “consenso” entre todos os estudantes ou se assim ele acreditava que fosse.

Como forma de proteger-se, fantasiava que era denunciado por outrem quando na verdade ele próprio deveria denunciar-se, provavelmente de maneira inconsciente. O narrador, aliás, não dá ao leitor o seu verdadeiro nome, que seria também o de seu duplo, porimages (2)vergonha da história que está contando. Em vez disso, numa brincadeira de Poe, ele adota um pseudônimo que é formado por dois anagramas dotados de significados: William pode ser Will i am (Serei eu?, em português) e Wilson, Wil’ son (Filho de Wil, também em tradução livro).

Explorado de diversas maneiras, com personagens semelhantes, idênticos ou proporcionalmente inversos um ao outro, o tema do duplo tem longa trajetória na literatura. Datado de 1839, William Wilson, o conto, não é o primeiro a abordar o tema do duplo, que, de acordo com Freud, nos acompanha desde os primórdios da psique humana. Ele seria a parte de nós mesmos que estranhamos e relutamos a reconhecer.

No final da história, o narrador consegue assassinar seu implacável perseguidor, que estava sempre dentro de si, mas acaba com isso matando uma importante parte de si mesmo. Paradoxalmente, a partir deste momento é que ele se torna capaz de sentir culpa pelo que fez, pois talvez este seu supereu projetado não tenha morrido, mas se internalizado quando de sua “morte” externa.

#38 Perdas e Ganhos – Lya Luft

perdas e ganhosAdoro a literatura gaúcha, visto que Erico Verissimo é um dos meus autores favoritos. Lya Luft é uma escritora de crônicas pré- Martha Medeiros. Ela é moderna e nos leva sempre a altas reflexões.

Esse livro não poderia ser diferente. A autora nos faz mergulhar em nós mesmos de forma profunda e introspectiva.

Somos convidados a compartilhar de seus segredos e de fatos corriqueiros de seu cotidiano. É um livro para ser degustado devagar, para que possamos refletir e questionar tudo que nos é passado com a delicadez e sensibilidade de Lya. Dela também li O Tempo é um rio que corre.

“O tempo aparentemente tudo leva e tudo devolve como as marés, mas que só nos afogamos na medida em que permitimos”. Uma das frases do livro.

O balanço não é lamentar as perdas, e sim aprender com elas e absorver os ganhos.

Super recomendo!

 

 

Prêmio SP de Literatura recebe inscrições até o dia 12 de maio

Escritores e editoras de todo o país já podem inscrever suas obras para concorrer ao prêmio de literatura do estado de São Paulo. Neste ano, o prêmio receberá candidatura de romances em duas categorias: “Melhor Livro do Ano” e “Melhor Livro do Ano – Autor Estreante”. As inscrições podem ser feitas até o dia 12 de maio.

Para participar, os candidatos devem preencher um formulário e envia-lo ao núcleo de protocolo e expedição. Todas as informações de como se candidatar estão no site do governo de São Paulo.

Na categoria Melhor Livro do Ano, poderão se inscrever autores que já publicaram romances anteriormente, já na categoria Estreante, os autores podem ter outros livros publicados, desde que o que esteja concorrendo seja seu primeiro romance.

Criado em 2008, o Prêmio São Paulo de Literatura tem como objetivo incentivar novos escritores, novas editoras e o hábito da leitura. Hoje em dia, o prêmio de São Paulo, entrega o maior valor em premiação: R$ 200 mil para o Melhor Livro do Ano e R$ 100 mil para cada autor estreante nas duas submodalidades.

Por Lívia Lima

Dobradinha Literária #42: Iaiá Garcia – Machado de Assis

Iaiá Garcia foi o último romance de Machado de Assis. Publicado no ano de 1878, é considerado como uma obra da fase romântica do escritor.

O bairro de Santa Teresa é o ambiente desta história, um bairro tradicional do Rio de Janeiro. O tempo se dá em meados de 1800, entre o desenrolar da Guerra do Paraguai e o seu final, durante os anos de 1865 e 1870.

Com personagens femininas marcantes, o livro Iaiá Garcia apresenta Dona Valéria, a mãe de Jorge, que é apaixonado por Estela. Contrária ao romance entre os dois, manda o filho para a Guerra do Paraguai para acabar com o relacionamento.

O escritor apresenta esta personagem como robusta e de grande estatura, altiva e de olhos tristes e negros. Pela idade avançada, Valéria tinha já alguns fios prateados nos cabelos.

Já Estela é a personagem que mais aparece no romance. Machado de Assis descreve-a no começo da obra como uma garota bonita de 16 anos. Com uma beleza natural, Estela não tinha a necessidade da utilização de artifícios para se embelezar. Além disso, tinha olhos escuros e grandes, palidez, delicadeza, meiguice e um forte senso moral.

Sem título

De acordo com os críticos literários, Iaiá Garcia foi a obra mais valiosa da fase inicial de Machado de Assis. As características mais importantes do livro são o lirismo com que a narrativa é construída, os jogos psicológicos e a conduta de duas mulheres que estão em polos completamente diferentes: uma que não quer enxergar a realidade e outra que luta para se impor. A presença de mulheres marcantes na obra de Machado de Assis também é verificada em Helena, outro romance do escritor com mulheres de personalidade marcante e que conduzem o romance.

Jorge e Estela amam-se, mas vários empecilhos contrariam esse amor, de que mesmo os dois tentam se resguardar. A mãe de Jorge, Valéria Gomes, viúva rica, não quer para seu filho uma esposa pobre e sem lustro social, a moça era filha de um ex-empregado de seu falecido pai.

Estela, por sua vez, conhecendo os preconceitos da sociedade e da mãe do rapaz, sente-se inferiorizada e luta contra a ideia de casar-se com Jorge. O rapaz, impondo seus direitos de moço rico, força um beijo quando com Estela passeava, e isto a jovem jamais perdoa. Valéria, tentando afastar definitivamente a possibilidade de que seu filho e a moça possam se casar, contando ainda com o auxílio do viúvo Luís Garcia, pretendente à moça, convence Jorge a ir combater na guerra do Paraguai.

Na ausência do filho, Valéria Gomes dá um dote a Estela e arranja-lhe um marido, o viúvo Luís Garcia, de gênio pacato, caseiro e arredio, que vive só para cuidar da filha amada: Iaiá Garcia. Porém, antes mesmo da viagem que fazia ao Paraguai, Jorge confidenciara ao mesmo Luís Garcia, agora marido de Estela, as verdadeiras razões de sua ida para a guerra sem, contudo, revelar-lhe a identidade da mulher com que a mãe não queria o seu casamento.

Por ser um livro da fase romântica de Machado de Assis, em que há características como o sentimentalismo acentuado e a idealização do amor, não existe verossimilhança em Iaiá Garcia. Ao contrário de outros escritores do romantismo, Machado de Assis confere às personagens femininas uma forte personalidade que vai aumentado com o desenrolar na narrativa. Desta forma, as mulheres do livro Iaiá Garcia são diretas, intensas e são as condutoras da história.

# 37 A menina que roubava livros – Markus Zuzak

a menina que roubavaNunca ninguém ia imaginar que a Morte narraria uma história, mas é o que acontece de forma surpreendente e criativa. O livro começa modorrento mas acaba ganhando corpo com o desenrolar do contexto histórico que é pano de fundo da hsitória da menina Liesel. Ela roub a livros mas tem uma simplicidade e suavidade encantadoras.

A história acontece na Alemanha, no período nazista. A Morte conta que havia mantido contato direto com a menina Liesel, principal personagem do livro, em três ocasiões: na morte de seu irmão menor, quando estava para ser adotada; na morte de um piloto aéreo das forças inimigas, na presença de seu melhor amigo, Rudy; e na morte de seus pais, quando a rua em que moravam fora completamente destruída pelos bombardeios da guerra.

A impressão que se tem é que a Morte acaba por se afeiçoar à menina e tudo que ela passa por seu amor aos livros. Eram os momentos mais felizes da menina quando ela roubava e lia os livros. A mãe era rude com ela, mas ela conseguia enxergar ainda amor na mãe por ela. Sua ingenuidade e pureza são tocantes.

Liesel não tinha vontade de ganhar livros, mas sentia prazer em roub=a-los, como se arrancasse à força algo que lhe era negado.

Quando a Morte a buscou, tinha consigo um livro que tinha pego da menina. Ela morava na Austrália e se mostrou surpresa com esse fato.

O livro é genial. Não assisti ao filme mas recomendo. Precisa ser sorvido e lido com cuidado e afeto.

Super recomendo!

 

#36 40 dias com a campeã do mundo – Gustavo Hofman

40 diasHoje tenho raiva da Alemanha e do 7 a 1, mas na época da Copa de 14, aqui no Brasil, torci por ela na final contra a Argentina. Síndrome de Estocolmo? Talvez. Só sei que um dos motivos foi a brilhante cobertura do setorista da Espn Brasil, da seleção alemã, Gustavo Hofman. Um jornalista admirável!

Depois da Copa, ele lançou esse livro simples e cheio de ótimas histórias sobre a trajetória da seleção de Angela Merkel.

Da seleção alemã, eu gostava do capitão Philip Lahm que acabou de aposentando logo depois.

Vale muito a pena ler e reler para os aficcionados por Copas do Mundo e por esportes.

Leitura fácil e dinâmica.