Iaiá Garcia foi o último romance de Machado de Assis. Publicado no ano de 1878, é considerado como uma obra da fase romântica do escritor.

O bairro de Santa Teresa é o ambiente desta história, um bairro tradicional do Rio de Janeiro. O tempo se dá em meados de 1800, entre o desenrolar da Guerra do Paraguai e o seu final, durante os anos de 1865 e 1870.

Com personagens femininas marcantes, o livro Iaiá Garcia apresenta Dona Valéria, a mãe de Jorge, que é apaixonado por Estela. Contrária ao romance entre os dois, manda o filho para a Guerra do Paraguai para acabar com o relacionamento.

O escritor apresenta esta personagem como robusta e de grande estatura, altiva e de olhos tristes e negros. Pela idade avançada, Valéria tinha já alguns fios prateados nos cabelos.

Já Estela é a personagem que mais aparece no romance. Machado de Assis descreve-a no começo da obra como uma garota bonita de 16 anos. Com uma beleza natural, Estela não tinha a necessidade da utilização de artifícios para se embelezar. Além disso, tinha olhos escuros e grandes, palidez, delicadeza, meiguice e um forte senso moral.

Sem título

De acordo com os críticos literários, Iaiá Garcia foi a obra mais valiosa da fase inicial de Machado de Assis. As características mais importantes do livro são o lirismo com que a narrativa é construída, os jogos psicológicos e a conduta de duas mulheres que estão em polos completamente diferentes: uma que não quer enxergar a realidade e outra que luta para se impor. A presença de mulheres marcantes na obra de Machado de Assis também é verificada em Helena, outro romance do escritor com mulheres de personalidade marcante e que conduzem o romance.

Jorge e Estela amam-se, mas vários empecilhos contrariam esse amor, de que mesmo os dois tentam se resguardar. A mãe de Jorge, Valéria Gomes, viúva rica, não quer para seu filho uma esposa pobre e sem lustro social, a moça era filha de um ex-empregado de seu falecido pai.

Estela, por sua vez, conhecendo os preconceitos da sociedade e da mãe do rapaz, sente-se inferiorizada e luta contra a ideia de casar-se com Jorge. O rapaz, impondo seus direitos de moço rico, força um beijo quando com Estela passeava, e isto a jovem jamais perdoa. Valéria, tentando afastar definitivamente a possibilidade de que seu filho e a moça possam se casar, contando ainda com o auxílio do viúvo Luís Garcia, pretendente à moça, convence Jorge a ir combater na guerra do Paraguai.

Na ausência do filho, Valéria Gomes dá um dote a Estela e arranja-lhe um marido, o viúvo Luís Garcia, de gênio pacato, caseiro e arredio, que vive só para cuidar da filha amada: Iaiá Garcia. Porém, antes mesmo da viagem que fazia ao Paraguai, Jorge confidenciara ao mesmo Luís Garcia, agora marido de Estela, as verdadeiras razões de sua ida para a guerra sem, contudo, revelar-lhe a identidade da mulher com que a mãe não queria o seu casamento.

Por ser um livro da fase romântica de Machado de Assis, em que há características como o sentimentalismo acentuado e a idealização do amor, não existe verossimilhança em Iaiá Garcia. Ao contrário de outros escritores do romantismo, Machado de Assis confere às personagens femininas uma forte personalidade que vai aumentado com o desenrolar na narrativa. Desta forma, as mulheres do livro Iaiá Garcia são diretas, intensas e são as condutoras da história.

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