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“Só vamos sair daqui quando estivermos a ponto de matar alguém!” Florencia Ferrari, ex-diretora editorial da Cosac Naify, diz a frase e aponta para o cenário espartano à sua volta: pé-direito alto, estantes de metal, bancadas de madeira -o luxo é só uma varandinha.

É nesse lugar, em um prédio no largo do Arouche, que ela e Elaine Ramos, ex-diretora de arte da Cosac, botam de pé sua nova casa, a editora Ubu. Às duas, veio juntar-se Gisela Gasparian, ex-executiva de fundos de investimento -e neta de Fernando Gasparian, fundador da editora Paz e Terra.

O escritório minimalista -e a sócia que acha planilha “uma delícia”- já mostra a principal diferença entre a Ubu e a Cosac Naify: a nova editora precisa botar tudo na ponta do lápis, porque não há um mecenas para vir em seu socorro.

Para iniciar suas atividades, a Ubu escolheu lançar, em coedição com o Sesc, obra que é marco fundamental nos estudos sobre a formação brasileira: trata-se do clássico Os sertões, de Euclides da Cunha. A publicação celebra também os 150 anos do nascimento do escritor.

O projeto se desdobrou em duas edições: a crítica e a crítica completa (box). A edição crítica completa, cuja tiragem é de apenas 1000 exemplares, conta com dois volumes. O primeiro traz a obra de Euclides da Cunha, extensa fortuna crítica, reprodução de páginas das cadernetas de campo do autor e um conjunto de imagens de Flávio de Barros, único registro fotográfico conhecido do conflito. O segundo, Variantes e comentários, apresenta estudo minucioso sobre as diferentes edições de Os sertões. A caixa com os dois volumes é vendida exclusivamente nas lojas da Livraria Cultura. O primeiro volume pode ser adquirido separadamente: trata-se da edição crítica, que pode ser comprada no site da Ubu.

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No volume Variantes e comentários, Walnice Nogueira Galvão apresenta uma análise minuciosa das edições publicadas em vida por Euclides da Cunha. A estudiosa descreve as variações gráfica e ortográfica, bem como os exemplares que utilizou para seu trabalho. A comparação expõe as mudanças empreendidas pelo escritor em seu texto. Nogueira Galvão chama atenção para esse fato: “[…] mal sabiam os modernistas que em Euclides contavam com um abridor de caminhos. As numerosas emendas a que submeteu as sucessivas edições de Os sertões, enquanto viveu, apontam para um progressivo abrasileiramento do discurso”.

O trabalho comparativo define o texto de Os sertões de ambas edições. Os critérios de estabelecimento e a explicação de como o cotejo foi realizado são apresentados apenas na edição crítica completa.

Fonte: site Hoje em dia / Ubu Editora

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