1088276As vendas não param, as tentativas de identificar quem está por trás do pseudônimo são detectivescas, os leitores famosos acumulam-se – é uma febre. Pelo menos é isso que diagnostica Giacomo Durzi, realizador italiano de documentários sobre Berlusconi e de séries televisivas, que está neste momento a filmar Ferrante Fever, um olhar sobre o sucesso da escritora Elena Ferrante com a ajuda dos escritores Roberto Saviano, Jonathan Franzen ou Elizabeth Strout.

“Uma tentativa de estimular reflexões sobre os motivos específicos do sucesso de Ferrante, sem ser seduzido pela provocação de fazer um documentário ‘bisbilhoteiro’ sobre a sua identidade desconhecida” – é assim que o filme é descrito pela sua produtora, a Match Factory. Ferrante, como faz parte do seu pequeno mito, assina sob este pseudónimo e a sua tetralogia de Nápoles, encetada com A Amiga Genial, não pára de acumular leitores e de aumentar a rede que tenta ou se recusa a apanhá-la nas suas entrelinhas. Ferrante tem “um público adulto, mas é um tipo de fenómeno simular ao que vemos na literatura juvenil”, atesta o distribuidor de Ferrante Fever, Giovanni Cova, na revista Variety. Do actor norte-americano John Turturro ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, todos parecem estar a ler, e a recomendar, Ferrante. A tetralogia vai ser também série de televisão e já há dois filmes que adaptam romances prévios da italiana.

O documentário está em filmagens e surge semanas depois de um texto publicado na New York Review of Books ter atribuído à tradutora italiana Anita Raja as obras da escritora que, como disse ao PÚBLICO em 2015, defende que “o único espaço onde o leitor deveria procurar e encontrar o autor é o da sua escrita”. Por isso mesmo, a produtora do novo documentário não esconde que quer estar alinhada com os editores da escritora italiana e “não mergulhar no assunto de quem é Elena Ferrante”. “É muito importante para mim estar em harmonia com eles”, disse à Variety Alessandra Acciai, produtora.

O que não quer dizer que não olharão para a escolha identitária de Ferrante, alguém que disse também ao PÚBLICO que não é a literatura que pede que revele o seu nome verdadeiro – “os meios de comunicação é que, por dever de ofício, não se contentam com as obras, querem caras, personagens, protagonistas excêntricos. Mas pode-se passar tranquilamente sem o que os meios de comunicação pretendem”, lembrou. A sua decisão numa era de ligações e de intensa visibilidade pessoal movida pela Internet “gerou um debate cultural sem precedentes”, que espicaçou Giacomo Durzi.

Fonte: Publico 

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