Daniel PereiraTchekhov é maravilhoso! Um dos meus autores favoritos e não é só porque é médico, mas porque tem domínio literário amplo e irrestrito.

O livro é uma obra-prima! Seria da minha lista de 2017, mas me antecipei e li.

A Gaivota descreve a trágica história de Trepliov, jovem e inseguro escritor, que vive entre a rejeição da mãe, a angústia de ter perdido Nina, sua amada, e o sonho de renovar o teatro. Nina é uma jovem reprimida pelo pai que deseja ser atriz famosa, assim como Arkádina, e ama os escritos do consagrado escritor Boris Aleksievich Trigórin, amante  desta. Arkádina é a mãe de Trepliov. Famosa e aclamada atriz se importa apenas consigo mesma e com sua arte, tudo ao seu redor deve funcionar em sua função. Reprime e não se importa muito com o filho. Critica-o demais o tempo todo, fazendo com que a autoestima dele seja baixa.
A peça toda se passa na casa de campo do Sorin, tio de Trepliov. A família e alguns amigos se reúnem no verão. Trepliov escreve uma peça, encenada por Nina, que refletiria o novo teatro russo. Ela também não gosta da peça.

Sua mãe classifica a peça como decadente. Trepliov magoado com a mãe interrompe a peça. Nina apaixona-se perdidamente por Trigórin. Trepliov, com ciúmes da mãe e da amada, tenta frustradamente se matar. Então desafia Trigórin para um duelo. Arkádina decide ir embora para a cidade. Nina decide fugir de casa e ser atriz, para isso conta com a ajuda de Trigórin, já envolvido pela atração física da jovem. Trigórin é muito mais velho que Nina. Do terceiro para o quarto ato passam-se dois anos. Neste ínterim, Arkádina e Trigórin não sofrem nenhuma mudança, continuam suas atividades de pequenos burgueses como sempre, diferente de Nina e Trepliov. Este começa a se tornar conhecido e promissor escritor, embora não esteja feliz nem satisfeito com seu trabalho. Nina, por sua vez, é a que tem a vida e as esperanças destruídas. Vai para a cidade para tentar ser atriz e se torna a segunda amante de Trigórin, que a engravida e a abandona. Ela perde o filho e torna-se uma atriz medíocre que atua em péssimos lugares. Todo o glamour almejado de uma vida interessante ao lado de intelectuais e artistas famosos se desvanece. No quarto ato, já destruída pela vida, relembra o texto da peça de Trepliov, que antes não tinha graça, nem fazia sentido, e que agora elucida toda sua existência, recitado desta vez sob todo o peso das circunstâncias atuais.

Tchekhov tratou seus personagens e seus temas com extrema sensibilidade, para que o apreciador de sua arte se identificasse nela. As crises existenciais, os problemas de relacionamento com os mais próximos, as agruras das relações sociais, todos esses assuntos gravitam na órbita do universo de A Gaivota. Sutilmente, ela dialoga com a história contemporânea da Rússia de então, com suas expectativas, tensões de ambiguidades humanas de seu tempo. “O espectador subentende que a mesma crise e o mesmo desajuste prosseguirão intactos e apenas se agravarão na vida futura dos personagens”. Assim como na peça, que dá ao espectador a noção de que a “vida fora do texto” permanecerá após as cortinas abaixarem, os problemas da existência humana permanecerão na história das relações sociais.
Essa peça de Tchekhov em especial tornou-se um clássico do teatro mundial porque trouxe inovações tanto literárias como cênicas. Na dramaturgia tchekhoviana, todos os episódios que seriam principais para a dramaturgia anterior são realizados fora do palco.  Ele inaugura a técnica do dizer omitindo, do se fazer entender silenciando, buscando mais uma vez aquele esforço de reflexão que torna o espectador ativo dentro do drama apresentado. Induz à reflexão de forma constante

 

O texto é profundo e ainda fala bem antes de acontecer da questão da fama, de ser famoso, da mídia e de todas as relações afetivas e sociais e a sua exposição delas. Nina se apaixona por Trigórin, tem um filho com ele, ele a abandona e ela não consegue corresponder ao amor de Trepliov que acaba se matando por não aguentar essa possibilidade e ao ver a gaivota empalhada que Nina lhe oferece. Nina acabando ficando desequilibrada pelo abandono.

O livro é um clássico e merece ser lido e relido. Tchekhov é um gênio da literatura. Devorem todos os seus livros!!

 

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