Diálogos Impossíveis – Luis F. Veríssimo

Você já  criou um grande desafio literário para 2017? Eu engatei na ideia do Canal Livrada (youtube) e vou participar cheia de coragem. Veja os tópicos deste desafio e arrisque!!

Desafio Livrada 2017

1- um vencedor do Jabuti
2- um livro japonês
3- um livro que explore o erotismo
4- um roman à clef
5- um livro com um protagonista detestável
6- um livro triste
7- um autor que você já conheceu pessoalmente
8- um livro com engajamento político
9- um livro que você ganhou de um amigo
10- um romance psicológico
11- um livro escrito antes do renascimento
12- um livro já resenhado pelo Livrada!
13- um livro de correspondência
14- um livro que se passa em lugar em que você já esteve
15- vida e Destino

Veja o vídeo original do Livrada

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Resenha: Não foi Suicídio – Juliana Rioderguz

Olá meus amigos, venho lhes apresentar um livro que está numa excelente pontuação no ranking do Wattpad. Para quem ainda não conhece, esta plataforma possibilita muitos escritores divulgarem seus trabalhos de forma gratuito e independente para o grande público. Auxilia assim, leitores ávidos como eu, em encontrar novos textos e títulos alternativos cheios de potencial.

44632418-368-k872208Sinopse:

Belina vê sua vida virar do avesso ao presenciar um suicídio. Frio, rápido e sem explicação.
Uma jovem se joga do topo de um prédio, tendo seu corpo perfurado pelos cacos de vidro da calçada. Ninguém entende como uma jovem no auge de sua vida era capaz de cometer o ato.
Mas o que aparentava ser um mero suicídio, se revelou maior do que isso. Belina se vê diante de um assassino de força sobre-humana, capaz de levar a mente de suas jovens vítimas à loucura, torturando-as profundamente em sua psique.
Agora, ela deverá correr contra o tempo para descobrir como parar o temeroso assassino e seu cão maldito, antes que seja tarde.

Avalon High – Meg Cabot

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VALON HIGH pode não ser exatamente o lugar onde Ellie gostaria de estudar, mas até que não é tão ruim assim. Uma escola americana normal, freqüentada pelos mesmos tipos de sempre: Lance, o esportista; Jennifer, a animadora de torcida; e Will, o presidente da turma, jogador talentoso, bom moço… e muito charmoso!

Mas nem todos em AVALON HIGH são o que parecem ser… nem mesmo Ellie, como ela logo vai descobrir. Depois de um esbarrão durante uma corrida no parque, os destinos de Ellie e Will parecem estar irremediavelmente entrelaçados.
Ela começa a notar uma série de estranhas coincidências entre o seu cotidiano e a lenda do Rei Arthur – nomes similares, triângulos amorosos, sociedades secretas – mas qual seria seu verdadeiro papel nessa história? Como em Camelot, estariam seus novos amigos fadados a um trágico destino? E pior, o que ela pode fazer para impedir que uma profecia milenar se cumpra mais uma vez?
Misturando fantasia, história e romance, Meg Cabot acerta mais uma vez. Uma versão inteligente e bem-humorada da lenda arthuriana.

O livro também inspirou a produção disney.

Não é de hoje que grandes obras literárias ganham suas versões cinematográficas. Mas, talvez, uma das histórias mais reproduzidas, tanto nos livros quanto na TV, ou no cinema, seja a do Rei Arthur e de seus cavaleiros da Távola Redonda. Teoricamente, não há uma versão considerada “a original” da lenda, uma vez que há ainda muitos detalhes a serem descobertos e/ou decifrados.

A história apresentada por ‘Avalon High’ (filme que a Globo exibe em HD) traz uma ideia contemporânea para o mito do Rei Arthur tirada justamente de outro romance baseado no personagem, escrito por Meg Cabot, autora da aclamada série ‘O Diário da Princesa‘ (que também virou filme) e um dos principais nomes da literatura infanto-juvenil.
A história da adolescente Allie Pennington que se vê envolvida numa profecia relacionada à reencarnação do lendário Rei Arthur nos dias atuais arrebatou leitores do mundo inteiro, e o livro é considerado por muitos como um dos melhores da escritora. Foi criada uma continuação para a história em forma de mangá, intitulada ‘Avalon High: A Coroação’ com três volumes: “A Profecia de Merlin”, “Homecoming” e “Hunter’s Moon”.

montagem avalon high 606 2 (Foto: Divulgação)Meg Cabot é uma das principais (e mais queridas) autoras de livros infanto-juvenis (Fotos: Divulgação)

Como toda adaptação de uma obra literária, a versão do filme apresenta algumas alterações em comparação ao livro, que foram descritas como necessárias para o padrão televisivo e entendimento do público (uma vez que a produção é um filme original do Disney Channel e foi lançado especialmente para a TV).

Confira o trailer

3-estrelas Fica a dica.

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Vídeo Resenha: Armadilha – Melanie Raabe

Melanie Raabe nasceu num vilarejo da Alemanha, especializou-se em mídia e literatura geral. Passou a trabalhar como jornalista e, secretamente, começou a escrever livros à noite. Armadilha é seu romance de estreia, cujos direitos foram adquiridos por editoras de 14 países e pelo estúdio de cinema TriStar Pictures.

Sinopse:   Linda, uma escritora best-seller, vive reclusa em sua casa à beira de um lago desde o assassinato de sua irmã mais nova há doze anos. O assassino nunca foi pego, mas Linda o viu de relance, e agora ela acaba de reconhecer seu rosto na TV. Ele é Victor, um brilhante jornalista. Pensando numa saída para pegá-lo, ela escreve um best-seller baseado no assassinato da irmã e concorda em conceder uma única entrevista à imprensa, em sua casa, para Victor. A partir daí tem início um embate perturbador. Cheio de reviravoltas, tensão e terror psicológico.

 

#53 Vidas Secas, de Graciliano Ramos

vidas-secas7Há muito tempo que queria ler esse livro e ler uma obra de Graciliano. E não me arrependi apesar de ter demorado muito tempo para isso acontecer.

A história fala sobre a seca e seus efeitos sobre os personagens Fabiano, Sinhá Vitória, as crianças e a cadela Baleia. Ela narra de forma densa e profunda tudo que cerca o sertão e a caatinga. O relato é impressionante, como se estivéssemos com aquela vegetação e aquele clima bem diante de nossos olhos.

Focaliza a vida de pobre-diabo de Fabiano e seus dilemas como pai de família que quer fugir da seca do Nordeste e não sabe como e do sentimento de culpa por ter sacrificado a cadela Baleia que contraiu a Raiva ou Hidrofobia.

Há uma grande luta de consciência do personagem central que ora se mistura com os sentimentos do narrador. Graciliano tem um rico vocabulário e escreve de forma brilhante a narrativa que nos faz refletir como essa questão ainda é séria no Nordeste brasileiro e os políticos pouco fazem para combatê-la.

Fabiano é um homem rude, grosseiro às vezes que tenta de qualquer forma mudar a condição precária que a família. Sinhá Vitória é sua esposa, mulher de fé e batalhadora, sempre ao lado do marido, apesar de totalmente submissa.

A parte que Fabiano mata a cadela é mais impactante a mais triste do livro porque ela fica ressentida de ter sido traída por seu dono, seu melhor amigo.

É um livro maravilhoso que merece ser degustado e relido. Dá doses da mais pura realidade da vida e mostra firmemente o delinear de comportamento e caráter dos personagens. Observamos como a aridez da seca deformou Fabiano tornando um homem árido que muitas vezes parece não ter sentimentos, nem quando entra em desavença com o soldado amarelo e acaba preso por insultar a mãe desse.

Super recomendo!!

Um conto de Natal – Charles Dickens

conto-de-natalUm dia, um dos melhores do ano, e véspera de Natal, o velho Scrooge achava-se em seu escritório, a trabalhar. O frio era acre e penetrante, acompanhado de nevoeiro. Scrooge ouvia as pessoas que iam e vinham na pequena vi- Charles Dickens 2 ela, esfregando as mãos e caminhando rapidamente para se aquecerem. Os relógios da cidade acabavam de soar três horas, mas já começava a escurecer, e as luzes principiavam a brilhar no interior dos escritórios vizinhos, pontilhando de manchas avermelhadas a atmosfera cinzenta e quase palpável do crepúsculo. O nevoeiro infiltrava-se por todas as fendas, invadindo o interior das casas pelo buraco das fechaduras; fora, era tão denso, que, não obstante a estreiteza da viela, as casas fronteiriças se tinham tornado imprecisos fantasmas. Diante desta onda cinzenta que descia progressivamente, ameaçando envolver tudo em sua obscuridade, poder-se-ia crer que a natureza inteira se havia posto ali a fabricar a chuva e a neve. A porta de Scrooge estava aberta de modo a permitir-lhe observar seu empregado, que se achava copiando cartas no compartimento contíguo, lúgubre cubículo que mais parecia uma cisterna. O fogo de Scrooge era bem insignificante, mas o de seu empregado era tão miserável que parecia não passar de uma única brasa. E tornava-se impossível alimentá-lo, pois que Scrooge conservava junto de si a lata de carvão, e quando o pobre rapaz entrava, com a pá na mão, Scrooge declarava que era obrigado a dispensar os serviços de um homem tão gastador. Diante disso, o pobre homem, enrolando-se em seu cachecol branco, procurava aquecer-se na chama da lamparina, o que não conseguia, por não ser dotado de uma imaginação suficientemente viva. – Bom Natal, meu tio, e que Deus o ajude! – exclamou uma voz jovial. Era a voz do sobrinho de Scrooge, cuja entrada no escritório fora tão imprevista, que este cordial cumprimento foi o único aviso com que o rapaz se fizera anunciar. – Tolice! Tudo isso são bobagens! O sobrinho de Scrooge, que havia caminhado apressadamente no meio da bruma gélida, tinha o rosto incendiado pela corrida. Seu rosto simpático estava vermelho, os olhos brilhavam, e, quando falava, seu hálito quente transformava-se numa nuvem de vapor. – Natal, uma bobagem, meu tio? Parece que o senhor não refletiu bem! – Ora! – disse Scrooge. Feliz Natal! Que direito tem você, diga lá, de estar alegre? Que razão tem você de estar alegre, pobre como é? – E o senhor – respondeu alegre e zombeteiramente o sobrinho –, que direito tem de estar triste? Que razão tem o senhor de estar acabrunhado, rico como é? Não encontrando no momento melhor resposta, Scrooge repetiu novamente: – Tolice! Tudo isso são bobagens! – Vamos, meu tio! Não se amofine! – disse o jovem. – Como não me amofinar, – replicou o tio, – quando vivemos num mundo cheio de gente ordinária? Feliz Natal!… Que vá para o diabo o seu feliz Natal! Que representa para você o Natal, a não ser uma época em que você é obrigado a abrir o cordão da bolsa já magra? Uma época em que você se faz mais velho um ano e nem uma hora mais rico? Em que você, fazendo um balanço, verifica que ativo e passivo equilibram, sem deixar nenhum resultado? – Se fosse eu quem mandasse, – continuou Scrooge indignado, – cada idiota que percorre as ruas com um “feliz Natal” na ponta da língua seria condenado a ferver em sua marmita, em companhia de seu bolo de Natal, e a ser enterrado com um galho de azevinho espetado no coração. Pronto! – Meu tio! – exclamou o jovem. – Meu sobrinho, – tornou o tio num tom severo –, pode festejar o Natal a seu modo, mas deixa-me festejá-lo como me aprouver. – Como lhe aprouver? Mas o senhor não o festeja absolutamente! – Perfeitamente! – disse Scrooge; – então, dê-me a liberdade de não o festejar. Quanto a você, que lhe faça bom proveito! O proveito que você tem tido até hoje… – Há muita coisa de que eu não soube tirar o proveito que poderia ter tirado, é certo, e o Natal é uma delas, – replicou o sobrinho. – Mas, pelo menos, estou certo de ter sempre considerado o Natal – fora a veneração que inspiram sua origem e seu caráter sagrados – como uma das mais felizes épocas do ano, como um tempo de bondade e perdão, de caridade e alegria; o único tempo, que eu saiba, no decorrer de todo um ano, em que todos, homens e mulheres, parecem irmanados no mesmo comum acordo para abrir seus corações fechados e reconhecer, naqueles que estão abaixo deles, verdadeiros companheiros no caminho da vida e não criaturas diferentes, votadas a outros destinos. Assim, pois, meu tio, embora o Natal não me tenha posto nos bolsos uma única moeda de ouro ou de prata, estou convencido de que ele me fez e me fará muito bem, e é por isso que eu repito: Deus abençoe o Natal! O empregado não pôde deixar de aplaudir, de seu cubículo, o sobrinho de Scrooge, mas, logo a seguir, caindo em si e notando sua inoportuna intromissão, pôs-se a remexer as brasas vigorosamente, acabando por apagá-las. – Eu que o ouça mais uma vez, – disse Scrooge, – e você irá festejar o Natal no olho da rua. Quanto a você, meu amigo, continuou ele voltando-se para o sobrinho, você é de fato eloqüente; estou mesmo admirado de que ainda não tenha conseguido um lugar no Parlamento. – Não se aborreça, tio, e venha almoçar conosco amanhã. Scrooge respondeu mandando-o para o diabo, e o fez de cara a cara. – Mas, por quê? – exclamou o sobrinho. – Por quê? – Por que foi que você casou? – perguntou Scrooge. Canção de Natal 3 – Porque eu amava. – Porque amava! – resmungou Scrooge. – Como se isso não fosse outra tolice maior ainda que festejar o Natal! Passe bem! – Mas, meu tio! O senhor nunca vinha à minha casa antes do meu casamento. Por que arranja esse pretexto para não vir hoje? – Boa noite! – disse Scrooge. – Eu não espero nada do senhor; eu nada lhe peço. Por que não sermos bons amigos? – Boa noite! – disse Scrooge. – Lamento de todo o coração vê-lo assim tão obstinado. Não temos, que eu saiba, nenhum motivo de ressentimento. Foi em homenagem ao Natal que vim até aqui, e no espírito de Natal quero ficar até o fim. – Boa noite! – disse Scrooge. – E feliz Ano Novo! – Boa noite! – replicou Scrooge. O sobrinho, entretanto, saiu do escritório sem uma palavra de desagrado. Na porta, deteve-se para apresentar as boas-festas ao empregado, que, mesmo tiritando como estava, se mostrou mais amistoso que seu patrão, pois que respondeu ao jovem com felicitações cheias de cordialidade. – Outro predestinado! – resmungou Scrooge ao ouvi-lo. Imaginem meu empregado a falar de Feliz Natal com apenas quinze xelins por semana, tendo mulher e filhos! O tal predestinado, tendo acompanhado o sobrinho de Scrooge até à porta, fez entrar dois cavalheiros de fisionomia simpática e aparência distinta, os quais penetraram no escritório, tendo à mão, além do chapéu, vários papéis e documentos. Na presença de Scrooge, inclinaram-se. – Scrooge & Marley, parece-nos? – disse um deles, consultando os apontamentos. É ao senhor Scrooge ou ao senhor Marley que temos a honra de falar? – O senhor Marley faleceu há cerca de sete anos. Morreu nesta mesma noite, fará seguramente sete anos. – Não temos a menor dúvida de que a generosidade do sócio sobrevivente seja igual à dele, – disse um dos cavalheiros, apresentando os papéis que o autorizavam a pedir. E não se enganava, pois que os dois sócios eram bem dignos um do outro. Diante da inquietante palavra generosidade, Scrooge franziu o sobrolho, sacudiu a cabeça e devolveu os papéis. – Nesta festiva época do ano, senhor Scrooge, – prosseguiu o cavalheiro, tomando uma pena –, parece ainda mais oportuno do que em nenhuma outra ocasião, arrecadar algum dinheiro para aliviar os pobres e os deserdados da sorte, que sofrem cruelmente os rigores do inverno. A muitos milhares de infelizes falta mesmo o estritamente necessário, e muitas outras centenas de milhares não conhecem o mais insignificante conforto – Não há prisões? – perguntou Scrooge. – Prisões não faltam, – disse o cavalheiro, largando a pena. – E os asilos? Não fazem nada? – perguntou Scrooge. – Sim, de fato, embora eu preferisse dizer o contrário. – Então, as casas de correção estão em plena atividade? – Sim, estão em plena atividade, senhor. – Oh! Eu já estava receando, pelo que o senhor me disse há pouco, que alguma coisa tivesse interrompido uma atividade tão salutar, – disse Scrooge. Estou satisfeitíssimo por saber que tal não aconteceu. – Persuadidos de que estas organizações não podem proporcionar ao povo o consolo cristão da alma e do corpo, de que ele tem tanta necessidade, tornou o cavalheiro, alguns dentre nós resolveram empreender uma coleta, cujo produto seria distribuído aos pobres, em forma de alimento, combustível e roupa. Escolhemos esta época do ano porque, mais que nenhuma outra, é aquela em que mais cruelmente se faz sentir a penúria e em que o conforto se torna mais doce. Quanto posso pôr em seu nome? – Nada. – Desejaria guardar o anonimato? – Desejo que me deixem em paz; já que os senhores querem saber, é isso que eu desejo. Eu não faço banquetes para mim próprio pelo Natal, vou agora dar banquete aos vagabundos! Já faço muito em dar minha contribuição às organizações de que falamos ainda há pouco, e elas não ficam barato! Aqueles que tiverem necessidade que recorram a elas. – Muitos não o podem fazer, outros preferem a morte. – Se preferem a morte, – disse Scrooge –, está ótimo! Que morram! Isso virá diminuir o excesso de população. De resto, queiram desculpar-me, porém não estou bem a par dessa questão. – Mas o senhor poderá tomar parte nela. – Isso não me interessa, – replicou Scrooge. Um homem já faz muito, quando se ocupa dos seus próprios negó- cios, sem interferir nos negócios alheios. Os meus já me tomam todo o tempo. Boa noite, senhores. Vendo claramente que era inútil insistir, os cavalheiros retiraram-se. Scrooge, satisfeito consigo mesmo, pôs-se novamente a trabalhar, com radiante bom-humor.

Por Charles Dickens

 

Através desse fragmento, o Coração Literário deseja a todos os leitores e blogueiros um feliz e iluminado Natal!!! Paz, saúde, amor e livros!!!

Com carinho,

Anna Barros, Arita Souza e equipe.

#52 Olhai os lírios do campo – Érico Veríssimo

olhai-os-lirios-do-campoTodo livro do ´Erico Veríssimo é demais!  Esse e tão bom que foi adaptado e virou novela.

O título do livro é baseado num trecho bíblico que fala de preocupações exageradas, do grande temor que o homem tem com o porvir, com o que há de vir.

Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: ‘Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?c

O doutor Eugênio escolheu uma mulher que lhe convinha de acordo com seus medos e interesses, ele precisava de segurança. As suas más escolhas são justificadas pela infância pobre e o seu rancor em relação ao pai, que ele não conseguia admirar nem amar, sentia- se envergonhado, apesar de todos os esforços do homem, alfaiate, por dar- lhe a melhor educação em um internato privado, um colégio inglês cristão só para rapazes, o Columbia College.

A recordação da humilhação na infância é o motor da vida de Eugênio, é para fugir desse sentimento que estão baseadas todas as ações na sua vida adulta. Eugênio quer ser respeitado socialmente, custe o que custar. Cego.

Eunice, rica, foi a aposta segura. Eugênio formou- se em Medicina, mas não queria ser médico de subúrbio. Gostava de luxo, de fama e queria fugir da pobreza, o legado da sua família simples e honesta. Fingia amar Eunice, mas pensava em Olívia. O tempo todo estava ciente do erro, vivia angustiado e infeliz.

O personagem tem uma visão deformada da vida. Posso citar o caso brasileiro sem pestanejar. O valor está no ter. As pessoas envergonham- se de serem simples, há uma necessidade de ostentar, ainda que não tenham nada. Esse livro é espelho. Esta pode ser uma das funções úteis da literatura.

Apesar que essa é uma tendência já ficando ultrapassada, a da “segurança”. Universidade, concurso público, propriedades, casamento… A nova geração, a turma dos 20, já demonstra uma mudança de comportamento aqui e aí. Os jovens querem comprar experiências e não uma prestação de apartamento por 30 anos. Alugam, não compram; viajam, não criam limo; juntam- se, não casam. São mais honestos e espontâneos. A opinião alheia já não influi. São mais livres, sem hipocrisia. Hoje em dia, já não se casa mais por interesse como antigamente.

Eugênio e Olívia se conhecem e se apaixonam na faculdade de Medicina, mas depois que se formam, cada um vai para seu lado. Ela vai para o interior e ele decide ascender socialmente.

Quando ele sabe que ela está doente e acaba morrendo, ele decide dar uma guinada na vida separar-se, deixar Eunice e a filhinha Anamaria de três anos. A morte de Olívia foi a redenção de Eugênio.

Esse livro foi um marco na vida de Érico Veríssimo pois foi através dele que decidiu levar a profissão de escritor a sério.

Super recomendo esse livro e O Tempo e o Vento.

 

 

Conheça meu conto “A Profecia”

14803350960761Com muita alegria divido com vocês meu primeiro conto.  Você também poderá acessa-lo na minha página do wattpad

Sinopse: Bella deverá vencer o impossível para conhecer sua história e salvar seu povo  das garras dos Noiteranus, superando o poder da antiga profecia dos Ventos do Norte. Uma narrativa poética que irá encantar você.

Clique aqui para leitura:a-profecia

 

 

#51 A Gaivota, de Tchekhov

Daniel PereiraTchekhov é maravilhoso! Um dos meus autores favoritos e não é só porque é médico, mas porque tem domínio literário amplo e irrestrito.

O livro é uma obra-prima! Seria da minha lista de 2017, mas me antecipei e li.

A Gaivota descreve a trágica história de Trepliov, jovem e inseguro escritor, que vive entre a rejeição da mãe, a angústia de ter perdido Nina, sua amada, e o sonho de renovar o teatro. Nina é uma jovem reprimida pelo pai que deseja ser atriz famosa, assim como Arkádina, e ama os escritos do consagrado escritor Boris Aleksievich Trigórin, amante  desta. Arkádina é a mãe de Trepliov. Famosa e aclamada atriz se importa apenas consigo mesma e com sua arte, tudo ao seu redor deve funcionar em sua função. Reprime e não se importa muito com o filho. Critica-o demais o tempo todo, fazendo com que a autoestima dele seja baixa.
A peça toda se passa na casa de campo do Sorin, tio de Trepliov. A família e alguns amigos se reúnem no verão. Trepliov escreve uma peça, encenada por Nina, que refletiria o novo teatro russo. Ela também não gosta da peça.

Sua mãe classifica a peça como decadente. Trepliov magoado com a mãe interrompe a peça. Nina apaixona-se perdidamente por Trigórin. Trepliov, com ciúmes da mãe e da amada, tenta frustradamente se matar. Então desafia Trigórin para um duelo. Arkádina decide ir embora para a cidade. Nina decide fugir de casa e ser atriz, para isso conta com a ajuda de Trigórin, já envolvido pela atração física da jovem. Trigórin é muito mais velho que Nina. Do terceiro para o quarto ato passam-se dois anos. Neste ínterim, Arkádina e Trigórin não sofrem nenhuma mudança, continuam suas atividades de pequenos burgueses como sempre, diferente de Nina e Trepliov. Este começa a se tornar conhecido e promissor escritor, embora não esteja feliz nem satisfeito com seu trabalho. Nina, por sua vez, é a que tem a vida e as esperanças destruídas. Vai para a cidade para tentar ser atriz e se torna a segunda amante de Trigórin, que a engravida e a abandona. Ela perde o filho e torna-se uma atriz medíocre que atua em péssimos lugares. Todo o glamour almejado de uma vida interessante ao lado de intelectuais e artistas famosos se desvanece. No quarto ato, já destruída pela vida, relembra o texto da peça de Trepliov, que antes não tinha graça, nem fazia sentido, e que agora elucida toda sua existência, recitado desta vez sob todo o peso das circunstâncias atuais.

Tchekhov tratou seus personagens e seus temas com extrema sensibilidade, para que o apreciador de sua arte se identificasse nela. As crises existenciais, os problemas de relacionamento com os mais próximos, as agruras das relações sociais, todos esses assuntos gravitam na órbita do universo de A Gaivota. Sutilmente, ela dialoga com a história contemporânea da Rússia de então, com suas expectativas, tensões de ambiguidades humanas de seu tempo. “O espectador subentende que a mesma crise e o mesmo desajuste prosseguirão intactos e apenas se agravarão na vida futura dos personagens”. Assim como na peça, que dá ao espectador a noção de que a “vida fora do texto” permanecerá após as cortinas abaixarem, os problemas da existência humana permanecerão na história das relações sociais.
Essa peça de Tchekhov em especial tornou-se um clássico do teatro mundial porque trouxe inovações tanto literárias como cênicas. Na dramaturgia tchekhoviana, todos os episódios que seriam principais para a dramaturgia anterior são realizados fora do palco.  Ele inaugura a técnica do dizer omitindo, do se fazer entender silenciando, buscando mais uma vez aquele esforço de reflexão que torna o espectador ativo dentro do drama apresentado. Induz à reflexão de forma constante

 

O texto é profundo e ainda fala bem antes de acontecer da questão da fama, de ser famoso, da mídia e de todas as relações afetivas e sociais e a sua exposição delas. Nina se apaixona por Trigórin, tem um filho com ele, ele a abandona e ela não consegue corresponder ao amor de Trepliov que acaba se matando por não aguentar essa possibilidade e ao ver a gaivota empalhada que Nina lhe oferece. Nina acabando ficando desequilibrada pelo abandono.

O livro é um clássico e merece ser lido e relido. Tchekhov é um gênio da literatura. Devorem todos os seus livros!!

 

Poema de Anne Frank é vendido por 140 mil euros em leilão

Texto foi escrito pouco antes da adolescente se esconder dos nazistas com sua família em Amsterdã.

Um poema manuscrito de Anne Frank, feito pouco antes da adolescente judia se esconder dos nazistas com sua família em Amsterdã, foi vendido nesta quarta-feira por 140 mil euros em um leilão. Em apenas dois minutos, o “lote 2390”, assinado com as palavras “Em memória de Anne Frank”, foi vendido a um comprador que dava lances pela internet. O preço inicial era de 30.000 euros.

A venda ocorreu em um clima agitado na casa de leilões Bubb Kuyper, especializada em livros e papel, em Haarlem, no oeste da Holanda. Além dos cerca de vinte interessados e colecionadores presentes no salão de vendas, algumas pessoas davam lances pelo telefone e pela internet. Apenas “quatro ou cinco” documentos manuscritos assinados pela adolescente foram vendidos nos últimos 40 anos, afirmou na segunda-feira à AFP Thys Blankevoort, codiretor da Bubb Kuyper. Uma série de cartas de Anne e sua irmã Margot destinadas a meninas americanas foram vendidas em 1988 por 165 mil dólares. Um livro de contos com as assinaturas de Anne e Margot alcançou em maio, em Nova York, a quantia de 62,5 mil dólares, mais do que o dobro do preço estimado.

Poema de Anne Frank é vendido por 140 mil euros em leilão  AFP/AFP

O poema vendido é datado de 28 de março de 1942, poucos meses antes de Anne Frank e sua família se esconderem no apartamento secreto da empresa da família para escapar dos nazistas. Eles permaneceram lá durante dois anos, de junho de 1942 até agosto de 1944, quando foram denunciados e deportados. Nesse apartamento a jovem escreveu seu famoso diário, uma das obras mais lidas no mundo, traduzido para 67 idiomas e que já vendeu 30 milhões de exemplares. Anne Frank morreu de tifo no início de 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen, poucos dias depois de sua irmã.

Dedicado a “Cri-Cri”, Christiane van Maarsen, a irmã mais velha de sua melhor amiga Jacqueline, o texto, de 12 linhas, foi escrito em holandês com tinta preta em um “livro da amizade”, explicou Blankevoort. Naquela época, as crianças costumavam pedir que suas amigas escrevessem frases em seus livros da amizade. As quatro primeiras linhas foram provavelmente copiadas de um jornal de 1938, mas as quatro seguintes ainda não foram encontradas em outras fontes. Para Blankevoort, “pode ser que a segunda metade (do poema) tenha sido composta por Anne Frank”.

Fonte: ZHLivros